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No tempo em que existiam seres humanos
Terminei há alguns dias a leitura da Viagem ao coração dos Pássaros, aquele que a crítica menos aplaudiu a Possidónio Cachapa. Na minha opinião, injustamente.
No tempo em que existiam seres humanos, viveu-se a história trágica do homem-bomba e da mulher-trapézio. Um fatalismo realmente comovedor. Abala. E fica entranhado, bem perto do coração.
O livro é todo ele feito de magia, e só aparentemente simples. Numa paz desassossegada dos Açores, o destino chamou Kika para prestar auxílio a todas as almas, de alguma forma perdidas. Não importa se vivas se mortas. Porque aqui a espiritualidade tem outra pronúncia.
Quis o autor que o silêncio quase total de Kika se tornasse ensurdecedor, página após página. Custa e revolta o tanto que é dito sem que, no entanto, nada ou pouco fale. E, neste mundo de domínios, Kika não se domina a ela mesma. Porque há sempre um limite. Mesmo quando a coragem abunda. Mesmo ali, onde se ouve o coração dos pássaros.
(...) não foi excessivamente penosa a viagem ao coração dos pássaros. Pelo menos depois de perceber que se existisse um sítio onde a Verdade vivesse seria lá. Um local simples e efémero. Como o orvalho sobre a erva.
Possidónio Cachapa
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Domingo, Junho 25, 2006
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PARABÉNS. 54 vezes.
Onde quer que estejas.
@ Pedro Elias
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Sábado, Junho 24, 2006
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No (re)canto do meu coração
ainda aqui moras
por entre ruelas que nunca foram tortuosas
a minha porta nunca se fechará
porque esta saudade
é o espelho do teu encanto
@Viseu, de Pedro Elias
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Segunda-feira, Junho 19, 2006
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