Silabas Abensonhadas...
"Sou igual. E por trás disso, céu meu, constelo-me às escondidas e tenho o meu infinito." (Fernando Pessoa)

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No tempo em que existiam seres humanos



Terminei há alguns dias a leitura da Viagem ao coração dos Pássaros, aquele que a crítica menos aplaudiu a Possidónio Cachapa. Na minha opinião, injustamente.

No tempo em que existiam seres humanos, viveu-se a história trágica do homem-bomba e da mulher-trapézio. Um fatalismo realmente comovedor. Abala. E fica entranhado, bem perto do coração.

O livro é todo ele feito de magia, e só aparentemente simples. Numa paz desassossegada dos Açores, o destino chamou Kika para prestar auxílio a todas as almas, de alguma forma perdidas. Não importa se vivas se mortas. Porque aqui a espiritualidade tem outra pronúncia.

Quis o autor que o silêncio quase total de Kika se tornasse ensurdecedor, página após página. Custa e revolta o tanto que é dito sem que, no entanto, nada ou pouco fale. E, neste mundo de domínios, Kika não se domina a ela mesma. Porque há sempre um limite. Mesmo quando a coragem abunda. Mesmo ali, onde se ouve o coração dos pássaros.

(...) não foi excessivamente penosa a viagem ao coração dos pássaros. Pelo menos depois de perceber que se existisse um sítio onde a Verdade vivesse seria lá. Um local simples e efémero. Como o orvalho sobre a erva.

Possidónio Cachapa

posted by ip | Domingo, Junho 25, 2006
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PARABÉNS. 54 vezes.

Onde quer que estejas.


@ Pedro Elias

posted by ip | Sábado, Junho 24, 2006
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No (re)canto do meu coração
ainda aqui moras

por entre ruelas que nunca foram tortuosas
a minha porta nunca se fechará

porque esta saudade

é o espelho do teu encanto


@Viseu, de Pedro Elias

posted by ip | Segunda-feira, Junho 19, 2006


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